Eu gosto de assistir a uma boa peça de teatro, com bons actores, talentosos, conhecidos ou desconhecidos ... Gosto de ser surpreendido, de dar uma boa e sonora gargalhada, de dar voltas na cadeira, não de tédio, mas devido ao peso e tensão da cena ...
Mas na verdade é raro ir ao teatro, culpa minha e de facto não tenho desculpas ...
Na passada terça feira, recebi uns convites e lá fui ..., fui ao teatro ... à estreia de uma peça muito esperada.
Teve enorme divulgação em todos os orgãos de comunicação social, com críticas, apontamentos, análises e notas de rodapé.
Nos empregos não se falava de outra coisa ... e eu ... lá fui... não podia perder a peça, era peça única, era a estreia e ponto final. Não voltaria aos palcos tão cedo.
Estou a falar de ....
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* Não Há Mal Que Não Possa Servir ou Ser Útil a Alguém *
Romain Rolland
Ou
*** Nas Coxias de Um Acordo ***
Local: Coliseu de Roma, 14 – P
Prólogo
“Encontramo-nos em pleno Theatru Municipale onde os senadores discutem a viabilidade de contrair um empréstimo volumoso de 500.000.000 de moedas à Creditus Institutione.
... mas algo corre mal no Imperiu ...
Existem alguns que resolvem fazer birrinha e andam todos vestidos em tons laranja demodé ...
I ACTU
- Se os Naranjus fazem birra .... eu também faço! - apregoa por entre alas o Maioral Cor-de-Rosinha
- Ou dão-me as moedas para eu governar Lissabona ou vou-me embora ... para não mais voltar !!!!
Não suporto mais os lamentos e ameaços dos Barbarus (nr patos bravos) ... irra!
Logo ... logo juntaram-se ao côro de lamentos dos Cor-de-Rosinhas os Vermiculus.
De foice e martelo em riste os Vermiculus vociferavam palavras de ordem ...
- Queremos as moedas para Lissabona!!!!
- Os Naranjus são os únicos responsáveis pelo caos na Operarie Lissabona ....
Do alto da sua sapiência, caminhava pelas coxias o altivo Senador Khawyar Vermiculus. Este não se envolvia com o movimento operário dos seus camaradas Vermiculus, porque entendia não ser um simples Vermiculus.
Era apenas temido por alguns e conhecido por ser o Senador do Contra porque estava sempre contra tudo e contra todos e adorava aparecer, no seu estilo blasé de cultura do colarinho alto.
A força Khawyar Vermiculus já havia abalado os tuneis de Lissabona, beliscado o sossego de outros Senadores e descoberto segredos nos subterrâneos da Civitate.
Surpreendentemente ficou ao lado do Maioral.
Por estas paragens e nestes tempos, não era habitual encontrarmos movimentos MultiColores ou seja, movimentos compostos por Politicus que por diferentes razões não tiveram lugar nos grémios tradicionais.
Lissabona era por isso uma Civitate diferente.
“Lissabona Cantata” era o movimento do antigo Maioral da Polis.
Dizem os escritos que faltou-lhe pulso e que foi mestre do disfarce, de dar o dito pelo não dito e pela arte do desdizer.
Cansou e desesperou os Naranjus e desenvolveu a arte do caos politicus.
Criou aliança com os Cor-de-Rosinha e aconchegou-se no seu canto.
“Populus in Lissabona” foi um outro movimento, sofrido e ingénuo.
Nasceu dos amuos da sua Senadora com o Magistru Socrates.
Sempre de discurso arquitectónico , naífe e grisalho, os laços emocionais falaram mais alto e também se juntou ao Maioral.
Todos estavam com os Cor-de-Rosinha menos aqueles que eram mesmo ... mesmo necessários – Os Naranjus.
No fundo .... no fundo, e apesar de tantos apoios, o Maior Rosa sentia um desconforto orgânico que procura disfarçar.
Estava preocupado e não seguro de si e dos resultados futuros.
Havia sido ele, em tempos pouco remotos que publicamente na Sociale Lissabona e a Bem do Imperiu a decidir não mais autorizar as Civitates a realizar pedidos de moedas a Creditus Institutiones.
Mas a verdade é que .... Quem gasta mais do que tem, a pedir vem. E lá estava ele a pedir.
Havia sido ele, em tempos pouco remotos que publicamente na Sociale Lissabona e a Bem do Imperiu a decidir não mais autorizar as Civitates a realizar pedidos de moedas a Creditus Institutiones.
Mas a verdade é que .... Quem gasta mais do que tem, a pedir vem. E lá estava ele a pedir.
II ACTU
Entre paredes de pedra de salas fumaradas e nos paços exteriores frios e sob penumbra de nevoeiros fartos ... encontravam-se os Naranjus em acessos murmurares.
Sintam o ambiente .... um conjunto de grandes e pequenos senadores com vontade de gritar, espernear e dizer gravemente o que sentem ... mas com ordens para fazerem pouco barulho porque os Cor-de-Rosinhas podiam ouvir.
Mas afinal ... qual era o tema destes sussuros nervosos ? De que falavam eles?
- Havemos de negociar o tal empréstimo das moedas? - questionava um.
- O Maioral Rosa diz que se vai embora para nunca mais voltar se não lhe derem as moedas que ele quer .... ora ... a idéia até não é má de todo ... - ruminava o antigo candidatu a Maioral Liberale Civitate.
Mas ..., e nestas histórias existe sempre um Mas ....
- mas, ... se provocar o novo caos politicus vão todos dizer que sou culpado e irresponsável. E será isso que os escribas vão compor. Ficarei conhecido na história por Naranjus Casta de Uva – O Foedu.
E isso eu não quero !!! e reuniu o seu exército ...
- Condiscípulos Naranjus, como gesto de boa vontade vamos apresentar uma contra moção.
Em vez de 500.000.000 de moedas a nossa proposta vai para 380.000.000 de moedas. E não há mais ditos !!!! - disse ele seguramente.
Os Naranjus entraram em clara agitação ....
Então depois de tudo o que haviam dito e declamado contra o pedido de uma moeda que fosse à Creditus iriam agora recuar?!
E logo por um motivo pouco digno que na época era expressado por “Certificar o Tacho”.
Dada a ordem de “Convocare-Senatore”, os Naranjus e os Cor-de-Rosinha, à porta fechada, procuraram selar o acordo de compromisso.
Vamos então situarmos nesse famoso encontro ...
- Senador Rosa, a nossa proposta tem o valor de 380.000.000 de moedas! - apresenta Naranjus Casta de Uva ...
o Maioral reflete ...
- Ora 380.000.000 de moedas vezes 0,8% referente à taxa sobre os casebres do populus, mais as fugas normais e as quebras de 32% nos refectus culinarius ... vezes 3 são 9 e vai 1 ... bem ... é fazer a conta ...
Perante este cálculo só podemos ir até aos 400.000.000 de moedas porque também temos de contar com o nosso contributo para as instituições de piedade e de caridade das senhoras descalças e por estamos no periodo de Natal e a seguir vem a Páscoa.
E foi assim ... pelo método matemático que se chegou ao tão conhecido número.
Coube a Dominicus Antianu a responsabilidade de forma grave, num tom pesaroso e preocupado ... participar a nova vontade dos Naranjus.
Sempre com base num forte sentido de responsabilidade e justificado pela apurada e cuidada análise financeira sobre o estado das finanças da Civitate Imperiu.
Logo os olhares e as luces voltaram-se para o Maioral Rosa que veio a púlpito dar a anuência face à nova oferta.
E com pose ministrial deixou palavras soltas sobre a desordem e ausência de estratégia cultivada pelos Naranjus.
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A peça terminou ... o público saiu à espera de mais ... para mim a comédia até foi interessante mas ... e adaptando uma expressão do meu amigo Jorge Palma ...
“A Câmara Municipal de Lisboa parece uma ópera bufa ... está tristemente cómica”.




